A mais recente exposição de PedroTudela (Viseu 1962) é uma especie de sintese dos trabalhos que o artista tem vindo a desenvolver durante as duas últimas décadas. O princípio cumulativo que funciona como elo de ligação entre diferentes mostras, surge uma vez mais não só como princípio unificador de "...Flexo", mas também como ponto de partida para diferentes reenvios quer para trabalhos anteriores, quer para outras influências exteriores, como é o caso de Dennis Oppenheim, citado numa das instalações sonoras apresentadas na Galeria Graça Brandão.

A primeira peça da exposição, que constitui igualmente o fim do percurso proposto por Tudela, é uma escultura atravessada pela ideia de acidente, um dos temas centrais na obra do artista. De cada lado do trabalho, pode observar-se a imagem de um vidro partido. E é este material vai ecoar um pouco por toda a mostra, quer directamente quer indirectamente, neste caso em forma de som.

O trajecto construído por Tudela é também uma revisitação da sua pintura do inicio da década de 90, na qual o artista procurava trazer para a superfície da tela representações do interior do corpo. Duas obras, instaladas num dos cantos da galeria, introduzem esse reenvio e acrescentam outras perspectivas àquelas que o espectador pode ter de uma outra peça agora apresentada: uma escultura inspirada nas estruturas usadas no transporte de vidros, que inclui uma série de espelhos circulares voltados para dentro do objecto.

Uma série de desenhos e uma outra escultura com som completam a exposição na qual os multiplos cruzamentos propostos pelo artista formam um complexo jogo de espelhos. A montagem da mostra é depurada e provoca uma sensação de estranheza devida à sensação de vazio que, por vezes, se pode apoderar do visitante. Depois de "Sobre", apresentada o ano passado em Serralves, esta nova proposta de Tudela constitui mais um momento de um projecto coerente e sempre questionante quanto às possibilidades oferecidas pelo material utilizado em cada uma das peças.