“Up Side Down”

O espaço que este sótão ensina é uma grande área que parte de um regular apartamento, corre por uma escada ou se eleva pelo ascensor e prolonga manifestos que se declaram e permanecem acumulados. É assim que todos olhos e memórias o encontram, porque o sítio e o momento ainda fazem parte do território, porque a matéria de que é assente é o suporte de todos os planos.

Para este projecto “Up Side Down”, o meu gesto faz-se da soma da comarca Mad Woman. Tal como qualquer oportuno suporte, relaciona-se com uma arquitectura cujos projectos aclamam e obrigam que se viva o assunto do próprio lugar.

A janela e o intervalo

Quando nos congregamos a objectos, como um microfone e um par de colunas, confrontamo-nos com os extremos de um miolo que pode ser nosso ou de outro, pautado pelo tempo pela e acção. São as pontas de um género alargado do som que, quando se aproximam, se descarnam desafiando o feed back.

O som propaga-se pelo ar, pelos líquidos e pelas massas mais sólidas. A massa sonora revela-se em ondas que, num passado recente, se apresentam em barras reguladas por linhas progressivamente expandidas ou condensadas.

O sítio de onde brota o evento, tanto na cena compositora como na performativa, é invariavelmente a “boca“ de uma corneta que parte do sistema inverso ao do funil. Recorremos ao funil para nos ajudar a comprimir quantidade em corrente transitoriamente metamorfoseada em “linha”. Mas, a nossa abertura desfralda a produção que por ela passa, num notificado aumento, dando importância aos novelos e linhas que, num estado de reprodução gráfica, se revelam no espaço ocupando tudo como uma espécie de contágio temporal.

Imagine-se uma musica que se detém numa etapa avançada do “Pendulum Music” de Steve Reich e que estimula o ofício de alertar o mérito das matérias, das afinidades e do tempo estacionado na tabela dos pré-conceitos e das relações antagónicas.